Caiado busca entendimento com setores para publicar novo decreto

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Dois dias após anunciar a elaboração de um novo decreto com a volta das restrições das atividades econômicas e sociais, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), decidiu adiar a medida de enfrentamento ao novo coronavírus. O democrata tomou a decisão devido à resistência de diversos setores e diz que só publicará a determinação após buscar entendimento.

“O decreto não pode ser letra morta. Eu não posso redigir um novo decreto sem que haja uma conciliação de esforços”, disse ao POPULAR na noite desta quinta-feira (14). O governado afirmou que pretendia passar o dia em novas tratativas com prefeitos e representantes dos diversos segmentos, mas precisou cancelar a agenda para se dedicar à abertura emergencial do Hospital de Campanha de Luziânia, no Entorno do Distrito Federal.

“Eu não vou, de maneira nenhuma, publicar decreto sem buscar a concordância. O principal é construir pontos de concórdia. O decreto é peça secundária. O importante é ter o sentimento capaz de fazer com que ele funcione. Não adianta eu dar um avião para o cidadão se ele não é capaz de pilotar.”

Caiado, no entanto, não descartou a possibilidade de um novo decreto. Ele citou que Goiás registrou nesta quinta-feira mais de 200 casos confirmados em um único dia e destacou que a situação do Estado é preocupante, principalmente na região do Entorno do DF. E voltou a afirmar que, para vencer a pandemia, precisa do apoio da sociedade como um todo. “Eu não tenho o poder sozinho de fazer com que todas as medidas (de restrição) sejam cumpridas.”

Pela manhã, entrevista à Rádio CBN, questionado sobre as manifestações contrárias ao endurecimento das regras, Caiado afirmou que, como governador, tem a prerrogativa de editar o documento, mas perguntou: “Se não tem uma adesão como houve no primeiro (decreto), para que fazer um decreto? Para ser letra morta?”.

O governador disse não fazer sentido baixar um decreto sem “um sentimento da população”. “Por que nós chegamos a 70% (na taxa de isolamento social) no primeiro decreto? Porque todos nós abraçamos a causa. Nós estamos colhendo os bons frutos desse decreto”, afirmou.

Pôncio Pilatos

No entanto, Caiado disse que não pode se omitir em salvar vidas e afirmou que “muita gente está se passando por Pôncio Pilatos”. O governador romano da província da Judeia é retratado na Bíblia por ter se omitido no julgamento onde a multidão condenou Jesus Cristo.

“Agora, eu quero que as pessoas assumam a responsabilidade. Pôncio Pilatos simplesmente lavou as mãos, libertou Barrabás e crucificou Jesus Cristo. Se nós não remarmos no mesmo sentido, nós vamos ficar batendo cabeça.”

Restrições

O anúncio de um novo decreto ocorreu na última terça-feira (12), após Goiás atingir, por dias seguidos, o último lugar no índice de isolamento social do País. Caiado havia informado que estava elaborando uma determinação bastante restritiva. Só deverá funcionar o serviço que for considerado essencial. “Drogarias, hospitais, mercados, hipermercados desde que isolem a outra parte (será feito um isolamento ali para que apenas a parte de alimentos seja ofertada ao cidadão) e as indústrias responsáveis pela transformação dos produtos do setor primário como sustentação da garantia da segurança alimentar. A não ser por aí, o resto todo vai estar impedido por decreto a partir de amanhã ou de quinta-feira (14)”, detalhou na ocasião.

O governador também antecipou que igrejas, salões de beleza e academias não deveriam funcionar. As ações seriam concentradas em 32 municípios, sendo 8 deles turísticos, onde haveria inclusive a necessidade de apresentação de exames com resultado negativo para Covid-19.

No entanto, a possibilidade de volta das restrições enfrentou resistência principalmente entre os prefeitos e o setor industrial. Líderes religiosos e até técnicos da área da saúde também ponderaram que o mais adequado seria manter as medidas atuais, com aumento da fiscalização.

Hospital de Luziânia será aberto de forma emergencial

O Hospital de Campanha de Luziânia, no Entorno do Distrito Federal, será aberto na próxima segunda-feira (18) de forma emergencial. A antecipação ocorreu depois que o governado do DF, Ibaneis Rocha (MDB), afirmou que publicaria um decreto para proibir hospitais públicos do DF de atender pacientes goianos com o novo coronavírus.

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), fez uma vistoria técnica na unidade, que contará com 72 leitos, sendo 20 de UTI.

“No momento que houve esse corte de acesso aos moradores do Entorno (aos hospitais de Brasília) eu cancelei 100% da minha agenda. Vamos fazer a ocupação imediata, fazendo com que o hospital funcione de forma urgente. A organização social e os médicos já estão aqui comigo e nesta madrugada vão chegar 11 respiradores que foram consertados pela Universidade Federal de Goiás”, disse o governador.

O secretário de Estado de Saúde de Goiás, Ismael Alexandrino, explicou que o hospital já contava com 12 respiradores. “Serão 20 para uso, um para a sala vermelha e dois de reserva.” Após 180 dias, a unidade de campanha deverá ser transformada em hospital regional.

No fim da tarde, após o impasse com Goiás, o governador do DF recuou e suspendeu a publicação do decreto com a proibição. “Vamos encaminhar para que a gente melhore a nossa estrutura, inclusive para dar conta de atender as necessidades do Entorno até que o hospital de campanha de Águas Lindas fique pronto”, afirmou após reunião com o Ministério da Saúde.

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