Ceres: Duas adolescentes arremessadas de brinquedo não sentiram barra de segurança travar, dizem mães

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Duas das quatro jovens que se feriram após serem arremessas do brinquedo Surf em um parque de diversões em Ceres, disseram às mães que não sentiram a barra de segurança travada depois que o brinquedo começou a funcionar. Segundo relato de Tatiele Carvalho Evangelista e Mariane Oliveira Dias, ambas de 16 anos, elas deram as mãos uma para a outra e sentiram medo.

“Ela [Tatiele] disse que desde que entrou no brinquedo com a Mariane e mais duas adolescentes a barra desceu, mas não travou. Ela percebeu que não tinha travado. Gritaram que estava solto, mas o operador não escutava. Seguraram na barra e sentiram que estava caindo. Ela disse que pediu para o colega segurar forte na barra para não deixar a barra sair”, contou a empresária e mãe de Tatiele, Tatiane Agnes de Carvalho Evangelista, de 36 anos.

O acidente aconteceu na madrugada de ontem (26). A funcionária pública Joana Darc de Oliveira Dias, de 49 anos, e mãe da Mariane, confirmou que, segundo a filha, ela e a amiga já estavam receosas quanto à segurança do brinquedo, desde quando entraram. Elas se apoiaram uma na outra antes do acidente.

“Ela [Mariane] disse que lembra que a colega falou que estava com medo e a Mariane disse que também estava. Ela falou de puxar para o mesmo lado a trava de segurança e ficou segurando na mão da colega. Ela disse que lembra que o brinquedo começou a ir devagar, fez que ia parar, mas começou a ficar muito rápido até que ela desmaiou e quando acordou já estava no chão”, disse.

A estudante Thalia Aparecida Pires também se machucou no acidente e está internada com uma perna quebrada e um possível ferimento na coluna. Mãe dela, a advogada Leidiane Pires Rodrigues, disse que a filha lembra de alguns momentos de tensão.

“Ela disse que foi a primeira a cair. Caiu embaixo do brinquedo e sentiu que um rapaz arrastou ela para o brinquedo não bater nela na volta. Depois ela disse que viu mais uma menina caindo e depois só lembra de estar sendo socorrida”, contou.

Já Isabela do Amaral Vieira, de 16 anos, que também se feriu no acidente, bateu a cabeça e tece um dos rins removido em cirurgia por causa de uma hemorragia interna. Mãe dela, a dona de casa Maria Aparecida de Amaral Vieira, 46 anos, disse que o filho dela viu a irmã ser arremessada por último pelo brinquedo.

“Ele disse que estava sentado no banco olhando ela. Quando pensa que não, só ouviu um estalo. Ele olhou e viu as meninas voando e ela foi a última a ser arremessada, até que o brinquedo passou por cima dela. Em seguida desligaram a máquina”, contou.

Acidente e investigação

O Corpo de Bombeiros informou que, segundo testemunhas, a máquina começou a aumentar a velocidade, as travas de segurança abriram e as meninas foram arremessadas.

O delegado que estava de plantão na cidade no domingo, disse que o responsável pelo parque e o operador do brinquedo se apresentaram prontamente à Polícia Militar logo após o acidente. Eles foram conduzidos para a delegacia da cidade e tiveram os dados registrados para colhimento de depoimentos detalhados.

O delegado pediu ainda que o operador do brinquedo fosse submetido a um teste toxicológico que possa identificar se ele havia ingerido alguma substância que pudesse comprometer o trabalho.

“Determinei de imediato a coleta de provas essenciais, como a perícia no local e a oitiva do operador da máquina e dos proprietário do parque que apresentaram vasta documentação sobre a regularidade do estabelecimento”, disse.

Segundo o delegado, a Polícia Civil irá apurar “a legitimidade desses documentos e se alguém agiu com imprudência, imperícia ou negligência”.

O promotor da cidade, Dr. Marcos Alberto Rios, publicou em uma rede social que já havia solicitado da prefeitura da cidade confirmação de que o parque cumpria as normas de funcionamento. Segundo ele, a administração do município garantiu que o espaço atendia a todos os quesitos necessários.

“Eu percebi que havia coisas erradas. A situação das instalações, dá para ver quando não tem estrutura para fazer uma coisa envolvendo criança. A gente ficam em dúvida. Tem brinquedo instalado em cima de toco, tora, pedaço de madeira. É perigoso”, avaliou.

Marcos recordou ainda que, em agosto de 2017, a justiça havia determinado a interdição imediata do estabelecimento. Segundo o promotor, na época, o parque ficou fechado por alguns dias.

“No ano passado nós conseguimos uma liminar da Justiça, mas o município e o parque fizeram adequações, mostraram ao juiz que liberou o espaço para funcionamento”, afirmou.

A Prefeitura de Ceres divulgou uma nota de esclarecimento sobre o acidente. Conforme a administração do município, “foram adotadas as devidas providências cabíveis para a liberação do alvará de localização e funcionamento do referido parque, sendo que todos os órgãos de fiscalização estavam cientes da documentação apresentada”.

Segundo o Corpo de Bombeiros, o parque tem Certificado de Conformidade do Corpo de Bombeiro Militar (Cercon). Além disso, a direção apresentou a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) e laudos de todos os brinquedos, que estavam aptos para funcionar.

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