Presidente do Fed diz que plena recuperação da economia depende de vacina contra Covid-19

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presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano), Jerome Powell, se disse confiante com a retomada da economia americana desta crise provocada pelo novo coronavírus. Porém, a recuperação completa pode ser lenta, talvez se estenda “até o fim do próximo ano”, e dependerá da descoberta de uma vacina.

— Supondo que não haja uma segunda onda do coronavírus, acho que veremos a economia se recuperar de maneira constante ao longo do segundo semestre deste ano — afirmou Powell, em entrevista ao programa da CBS “60 Minutes”, que irá ao ar na noite deste domingo, acrescentando, porém, que a recuperação dependerá da confiança dos americanos.

O líder do Fed continuou:

— Para que a economia se recupere completamente, as pessoas terão que estar totalmente confiantes. E isso terá que aguardar a chegada de uma vacina.

Segundo Powell, a economia americana vai se recuperar, mas isso “pode levar tempo, pode se estender até o fim do próximo ano. Realmente, não sabemos”.

Na semana passada, o presidente americano, Donald Trump, se disse confiante na produção de uma vacina ainda neste ano, mas especialistas em saúde pública, incluindo Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA, alertam que o processo deve demorar mais tempo.

Na opinião de Fauci, um dos mais respeitados especialistas em imunologia, o desenvolvimento de uma vacina contra o coronavírus deve levar, pelo menos, de um ano a 18 meses. Rick Bright, demitido por Trump da direção da Autoridade Biomédica de Pesquisa e Desenvolvimento Avançado, afirmou recentemente ao Congresso americano considerar as previsões de Fauci muito otimistas.

As medidas de isolamento adotadas para conter o avanço do coronavírus estão sendo dolorosas à economia americana. Em poucas semanas, mais de 36 milhões de pessoas deram entrada no seguro desemprego. O Fed foi rápido na resposta, baixando as taxas de juros e oferecendo programas de empréstimo que deram liquidez ao mercado.

Mas restam dúvidas se essas ações serão suficientes caso a reabertura econômica demore muito tempo. Com pouco ou nenhum faturamento, empresas afetadas talvez não se sustentem por um período prolongado, o que aumenta o risco de falências.

De acordo com a CBS, a entrevista foi gravada no dia 13 de maio, seguindo um discurso contundente feito por Powell no mesmo dia, no qual alertou que a economia pode precisar de mais apoio financeiro para evitar perdas permanentes de empregos e ondas de falências.

O Fed já cortou as taxas de juros para zero, comprou títulos do governo em ritmo recorde e lançou uma série de programas de empréstimos emergenciais em parceria com o Departamento do Tesouro. Mas esses programas podem ser insuficientes para companhias que enfrentam meses de seca.

— Acho que há uma sensação crescente de que a recuperação virá mais lentamente do que gostaríamos — afirmou Powell, no discurso feito no dia 13, no Instituto Peterson de Economia Internacional, no qual ressaltou que “a dimensão e a velocidade desta crise não têm precedentes modernos, significativamente pior do que qualquer recessão desde a Segunda Guerra Mundial”.

o globo

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